Mundo azulino: História

História

HISTÓRIA DO CENTRO SPORTIVO ALAGOANO

Fundado em 7 de setembro de 1913, na Sociedade Perseverança e Auxiliar dos Empregados no Comércio, através de um grupo de desportistas, que liderados por Jonas Oliveira se reuniram com o objetivo de criar a agremiação, o Centro Sportivo Alagoano, começava sua imensa história de glórias.

O primeiro nome, no entanto, foi Centro Sportivo Sete de Setembro, em homenagem a sua fundação, e começou a funcionar na própria sede da Sociedade Perseverança, onde ficavam guardados os seus primeiros barcos. Ali, se formou uma verdadeira academia de atletas, pois o clube dispunha de um corpo de lutadores de boxe, luta greco-romana, levantamento de peso, lançamento de dardo e de disco e esgrima. Os esportes náuticos só entraram na história do clube em 1917 e, durante muitos anos, seus associados usaram a Lagoa Mundaú para passeios e competições náuticas.

Após pouco tempo, a sede do clube foi transferida para uma das dependências do Palácio Velho, antigo Palácio do Governo. Após, no ano de 1915, mais uma mudança ocorreu e a sede azulina passou a funcionar em um prédio na Praça da Independência, antiga Praça da Cadeia, pertencente ao Tiro de Guerra. Foi aí, inclusive, que o time realizou seus treinos e jogos. O primeiro jogo dos azulinos foi contra uma equipe formada por alagoanos que estudavam em Recife e os azulinos venceram por 3 a 0.

Dois anos após a fundação, aconteceu a primeira modificação do nome do CSA que, de Centro Sportivo Sete de Setembro passou a se chamar Centro Sportivo Floriano Peixoto, em 1915, numa homenagem a José Floriano Peixoto, atleta alagoano de destaque nacional. Torcedores azulinos propuseram, em assembléia geral, a mudança do nome do clube e a proposta do grupo foi aceita.

Definitivamente, no dia 13 de abril de 1918, o time mudou mais uma vez a sua razão social e foi batizado, em assembléia geral, com o nome de Centro Sportivo Alagoano, que de imediato passou a se identificar com o povo alagoano, tornando-o o clube de maior torcida do estado, o popular "clube da massa".


HISTÓRIA DO MUTANGE

Tudo começou num passeio de bonde do antigo craque do CSA, Polichinelo (Odulfo Ribeiro), e Virgílio de Brito - Este, um grande idealizador da campanha que culminou com a obtenção do terreno e a construção do estádio do mutange. Apanhando o bonde na praça do Governo, hoje a tradicional Praça dos Martírios, onde se localiza o Palácio do Governo Estadual, os dois desportistas passaram pelo local, que na época era onde se situava o "Grande Ponto Parque" (um parque de diversões com bares e bazares). Virgílio de Brito confessava o seu sonho de transformar aquele lugar na sede e estádio do CSA. Os dois saltaram do bonde e procuraram saber quem era o dono do terreno. Foram informados de que o dono era Alfredo Vugner.

O CSA precisava de um estádio e esse sonho alimentou os planos de Virgílio de Brito que programou um torneio interno no CSA e deu a um dos times participantes o nome de "Alfredo Vugner". Sabedor de que seu nome estava sendo homenageado através de uma equipe, Alfredo Vugner ficou imensamente entusiasmado e mesmo sem ser um grande admirador do futebol, compareceu aos jogos do torneio interno e até resolveu ofertar um rico troféu ao vencedor, tal acontecimento empolgou mais ainda o dono do terreno onde ficava o Grande Ponto Parque, que resolveu se tornar um dos sócios do CSA.

O terreno, porém, já estava sendo negociado com uma firma alagoana, mas que nada havia de definitivo. Contudo, Alfredo Vugner garantiu que se o negócio não ficasse concluído, ele faria todo esforço para vendê-lo ao CSA. E assim aconteceu. O terreno era muito grande. Começava na beira da Lagoa e terminava na avenida que dava acesso ao bairro de Bebedouro. Um terreno muito grande e que custou ao CSA a quantia de trinta mil réis. Como não havia dinheiro, Alfredo Vugner facilitou tudo para o clube azulino. Aceitou duas promissórias de quinze mil réis, que foram descontadas no Banco de Alagoas, hoje Banco do Estado de Alagoas. Na data do vencimento, o clube azulino ainda não tinha o dinheiro e o jeito foi firmar um acordo com o desportista Aristeu Bastos, que resgatou a promissória ficando de receber o dinheiro do CSA posteriormente.

Enquanto tudo isso acontecia, a construção do estádio foi iniciada. Foi um esforço conjunto de todos os associados, diretores e jogadores que, a cada domingo e feriado, compareciam ao mutange para desbravar o terreno rolando toros de madeiras, derrubando árvores, pegando pás e picaretas. Muita gente boa, altos comerciantes, bancários, desportistas, formaram o bloco de trabalhadores para preparar o gramado. Pessoas como Manoel Lopes Pinto, Osvaldo Machado, Aguinaldo e Osvaldo Florêncio, Francisco Rizzo, Vicente Grossi, Miguel Cardoso, Manoel Buarque, Antonio Bispo, Manuel Campelo, Ernesto Silveira, Eudes Coelho da Paz, Davino e Aristides Ataide, Luciano Lordslem, Lessa de Azevedo, José Angelo, Manoel Ferri, Aloisio Nogueira, Alberto Fontan, Antonio Bessa, Antonio Bráulio, Odulfo Ribeiro, Virgilio de Brito e mais alguns.

Havia um consenso inabalável. Todo mundo desejava levantar o CSA, tornando-o forte, dono de um patrimônio enorme e imbatível. As esposas e filhas também prestaram sua colaboração, comparecendo à frente de batalha trajando uniforme do clube e ajudando os homens em seus esforços, inclusive distribuindo refrescos e bolinhos. Era um autêntico mutirão.

Somente em 1934, na gestão do presidente Paulo Pedrosa, é que o terreno foi regularizado. Aristeu Bastos, que resgatou as promissórias e era cunhado de Paulo Pedrosa, residia no Rio de Janeiro. Demonstrando se desfazer do terreno onde já estava o campo do mutange, Aristeu tentou entrar em acordo com o CSA. Com a falta de dinheiro, Paulo Pedro sugeriu que o clube ficasse com parte do terreno por vinte contos de réis que seriam pagos em quatro prestações de cinco mil reis. Aristeu Bastos aceitou a proposta do cunhado e o presidente azulino fez uma campanha de novos associados para conseguir arrecadar o suficiente para pagar o local do estádio do mutange.

Inaugurado em 1922, o mutange sofreu algumas alterações ao longo do tempo. As primeiras arquibancadas de madeira tinham as formas mais modernas para a época. O próprio tempo se encarregou de enfraquecer a madeira e destruir parte das arquibancadas. A partir da metade da década de trinta, as arquibancadas de madeira já não tinham as mesmas marcas da modernidade. Mas, para chegar ao mundo de cimento e concreto, o mutange partiu de um campo com dependências acanhadas, arquibancadas de madeira de um lado e uma geral sem muitas condições, formada apenas por uma pequena barreira que acompanhava dois lados do campo.

Na administração no presidente Benicio Monte, o mutange ganhou arquibancadas de cimento armado, gerais de alvenaria e iluminação artificial. Para a época, o mutange se transformava no mais moderno estádio de futebol de Alagoas. Até a inauguração do Trapichão, os maiores espetáculos esportivos realizados em nossa terra foram disputados no mutange graças ao entusiasmo dos azulinos e um homem de visão chamado Benício Monte, que para uma grande parte de conselheiros e torcedores do clube, foi um dos maiores presidentes da história do clube.

Retirado do Museu dos Esportes com alterações.


TÍTULOS

37 Títulos do Campeonato Alagoano: 1928, 1929, 1933, 1935, 1936, 1941, 1942, 1944, 1949, 1952, 1953, 1955, 1956, 1957, 1958, 1960, 1963, 1965, 1966, 1967, 1971, 1974, 1975, 1980, 1981, 1982, 1984, 1985, 1988, 1990, 1991, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2008

14 Títulos do Torneio Início: 1927, 1928, 1929, 1930, 1933, 1935, 1940, 1946, 1949, 1957, 1961, 1965, 1972

1 Título do Campeonato Alagoano - 2ª Divisão: 2005


PARTICIPAÇÕES MARCANTES

3 Vice-campeonatos da Taça de Prata (2ª Divisão do Brasileiro, na época): 1980, 1982, 83

Vice-Campeonato da Copa Conmebol: 1999

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